maio 11, 2013

Não mais Sim

Pudessem todas as escolhas ser tão simples como dizer um Não ou um Sim, mas não são. Ou então este filme vem mostrar-nos que na lição da História é possível dizer Não mesmo quando tudo parece apontar para um único caminho, uma única afirmação ou solução tal como era apontado ao povo chileno no final da década de 80. Não ou Sim. Esta simplicidade na linguagem traduz o voto livre da escolha mais directa sobre o futuro. Ou queremos ou não queremos. Ou queremos continuar no mesmo sentido e acabarmos todos por ser cúmplices de um regime mal posto ou temos coragem para romper com o estado assumido e conformado de coisas mesmo que não saibamos em concreto para onde vamos depois da decisão mais difícil e corajosa e que está em dizer Não. Será então nos contextos mais duros e punitivos das sociedades sem liberdade de expressão, que maior é a possibilidade de acontecer a afirmação dos mais altos valores da determinação e criatividade humana capazes de pôr em causa o estado da resignação e do medo a que essa sociedade está subjugada. E este filme lançado agora tem uma importância especial, uma vez que actualmente o exercício mais puro da democracia não existe e não é a liberdade de expressão por si só ou as eleições livres que lhe conferem a autenticidade. A verdade é que quem vota sabe que não está a afirmar ou a negar nada, mas sim a engrenar outra solução de continuidade. Nos tempos em que vivemos, parece que perdemos a capacidade para depor o Poder e a autoridade para contrariar o destino e a inevitabilidade. No fundo, não se depõe nada e nem ninguém e o exercício faz-se apenas substituindo uns por outros sendo que o que têm de diferente é a forma como são iguais. No Chile de 88, esse estado pela diferença assumiu-a a campanha pelo Não, mesmo que sem grande Política bastando-lhe ter uma postura de contra-regime recorrendo à arma de um marketing barato de grandes ideias, o qual o Sim combateu com o populismo das massas que estariam ao lado do seu líder, juntamente com outros truques visando o silenciamento desta revolução.
Bom filme para ver nos tempos que correm mesmo que diferentes daqueles passados. Mas não é por morrer um ditador que se acaba a ditadura e há que encarar como universais os problemas independentemente dos Regimes e das verdades absolutas que as lições do passado tendem a contrariar.

1 comentário:

  1. Estou a ver que te inspirou e bem, belo texto. Subscrevo cada palavra. Para mim, continua a ser uma das grandes surpresas do ano transacto.

    Abraço,
    Rafael Santos

    ResponderEliminar