outubro 15, 2013

Ainda há bons filmes sobre o desporto

Filmar o desporto para cinema tem-se revelado num exercício muito difícil para os realizadores que optem por pegar nas histórias e momentos da história desportiva mundial. Independentemente do financiamento ou se se tratar de biografia ou ficção, se formos a fazer uma análise fria ao produto final apercebemo-nos que os resultados são geralmente sempre fracos. Não falo com certeza de tudo aquilo que gira em torno do desportista, ou seja, todos os dramas ou subdramas relacionados com a história da personagem ou personagens principais, que, verdade seja dita, neste tipo de filmes são normalmente postos num plano muito melodramático demais, tornando muitas vezes o atleta num super-herói dos tempos que em certa medida o é, mas a isso se deve uma explicação mais profundamente sociológica que nunca cabe num filme de cinema. Mas a minha constatação incide mais sob a forma como se filma o sport em si, a acção no terreno da modalidade e é inegável a dificuldade em captar esses movimentos, excepção feita aos desportos de ringue, como por exemplo o boxe, onde aí encontramos filmes como Touro Enraivecido ou Rocky. Talvez a isso se deva o facto de o ringue ser um espaço mais curto. Veja-se por exemplo a forma como Clint Eastwood conseguiu captar o desporto em Million Dollar Baby mas depois em Invictus falhou redondamente a filmar Rugby. Isto não é uma crítica, é sobretudo a constatação com base numa opinião.
Isto leva-me a Rush e ao elogio a Ron Howard. A Formula 1 é um desporto que se distingue de outros por ser motorizado, mas ainda assim estou certo que não será fácil fazer um filme sobre F1 que consiga imprimir e transmitir toda a velocidade e som dando-lhe o realismo certo que faça justiça a este desporto. E neste filme Ron Howard consegue dar à pista e aos carros todas essas características fazendo um filme bem centrado e que não se perde nos tais excessivos melodramas. O focus do filme está na corrida e na rivalidade entre dois pilotos que marcaram uma geração, no eterno duelo entre o coração e a razão, a paixão e a mecânica. Sendo estes ingredientes excelentes para se fazer um filme que prende o espectador, Howard mostrou uma preocupação em dar verdade ao realismo e usou também em doses muito moderadas o enquadramento mais intimo de Lauda e Hunt não sendo preciso mostrar muito do lado pessoal destes dois pilotos para percebermos qual o papel deles na história e qual o impacto que isso teve na forma como encararam as corridas e como construíram as suas carreiras. 

2 comentários:

  1. Excelente destaque, Carlos. Fiquei positivamente surpreendida com o Rush. Para além de prender ao ecrã até ao fim, é muito fiel à realidade. Uma boa aposta de Ron Howard.

    Cumprimentos cinéfilos.

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  2. Estamos em sintonia, concordo em absoluto com o que escreveste...como é fácil de ver pela minha crítica ;) Não estava à espera de gostar tanto de "Rush" e foi exactamente pela conjugação de realismo entre a parte técnica das corridas e tudo mais e o desenvolvimento das personagens, mérito de Howard e dos actores.

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