novembro 12, 2013

Uma imagem sem o filme


Que xadrez é este, Bergman? Qual aquele oceano e onde fica este paraíso de pedras? Mas que silêncio infinito guardará o silêncio destas peças? É estranho ver uma imagem de um filme sem saber qual o contexto, sem ter visto portanto o filme e tão pouco do que fala. O Sétimo Selo. Sempre me intrigou este título. Dizem que é uma obra-prima como quase todos os filmes do mestre, não duvido, mas não conheço, este e certamente muitos outros e também a verdade é que quanto mais se conhece a realidade mais longe estamos de conhecer tudo, seja tudo o que for, mesmo que seja nada ou a simples aparência da insignificância mais vaga e abstracta. Não será isso propriamente mau se for consciente a afirmação dessa condição e não feita puramente assente na deriva material do materialismo que nos aproxima uns dos outros e que nos dá tanto conhecimento mas que no fundo desvirtua a base elementar da convivência com o silêncio da natureza, da viva à mais morta e da nossa própria.
Quero pois olhar para esta imagem e sentir que através da sua configuração intelectual consigo atingir o estado espiritual térreo que preciso para interpretar as coisas simples. Pois hoje é dia de ser mais um dia simples, um dia em que estou farto deste ruído agreste que vem de fora. Hoje não quero ver imagens em movimento, não quero ouvir nada que não venha da minha cabeça e só quero imaginar que a minha única virtude é ser um ser que só se concretiza parando o movimento das coisas sem querer saber do resto. Hoje é o dia para visitar a minha ignorância sobre as coisas e apelar ao meu espírito de aventureiro desventurado que se perdeu no caminho da razoabilidade.
Será esta imagem a afirmação da racionalidade do homem através do movimento tabular sobre as coisas naturais? Serão estas as linhas com que se desenham os contornos do dialéctico mental versando à soberba humildade etérea da terra? Pensando bem, eu não quero respostas para esta imagem, muito menos procuro as respostas do autor que as concebeu. Só quero olhar para ela para sempre e não perceber nada da vida ou tentar esquecer que percebo alguma coisa dela, porque é não percebendo que eu neste momento sou completo e que sou útil à sociedade. É assim que eu agora sou e talvez é sendo desta forma que consiga melhor compreender o fundamento deste jogo da razão no confronto directo com o painel cinzento dos sentimentos. 

novembro 02, 2013

Polaroid Tarkovsky (1/4)

Realizador de alguns dos filmes mais marcantes do século passado, Solyaris ou Stalker de entre outros, Andrei Tarkovsky foi também um aficionado da fotografia Polaroid. Em 2006 foi publicado precisamente um livro que reuniu essas imagens tiradas pela Polaroid do realizador russo. Durante este mês proponho trazer aqui algumas dessas fotografias.