agosto 26, 2013

Os gangues de Hollywood

Sofia Coppola é talentosa e depois de ter iniciado a sua carreira com The Virgin Suicides e Lost in Translation, quase que já nem é preciso pedir-lhe que faça mais nada pois por aí já não tem nada a provar. Por outro lado, o grau de exigência subiu tanto graças a esses dois primeiros filmes que não deixa sempre de ser com grande expectativa que aguardamos o novo filme.
O último, The Bling Ring, é um filme simples e básico, não requer aparente esforço de compreensão, mas lança através dessa simplicidade o desafio para um olhar mais crítico sobre a sociedade materialista onde vivemos, os ídolos que seguimos, os ídolos que são construídos e aquilo que à dita alta socialite diz respeito. Sendo The Bling Ring um filme baseado numa história real que se debruça sobre aqueles miúdos que em Beverly Hills usaram as casas de algumas celebridades como se de lojas em liquidação total se tratassem, a verdade é que de alguma forma acabamos por sentir compaixão por aqueles pequenos e mimados ladrões que usam as cabeças apenas para enfiar chapéus e o raciocínio para lhes combinar as cores. Muito embora esteja sempre presente essa consciência de opacidade desses personagens, há também uma tentativa de construção da sua razão muito directa e franca que faz com que até aceitemos os seus comportamentos dado sabermos que do outro lado está um determinado tipo de pessoas que parece só estar no mundo para ostentar no mediatismo o imediatismo de um mundo aparte que cria sentimentos como a ganância, superficialidade ou inveja, os quais eles acabaram por ser vitimas, ou seja, vitimas deles próprios.
Apesar de não ter o brilho dos primeiros filmes, The Bling Ring não deixa de ser mais uma prova da certeza de Coppola.

agosto 22, 2013

Não só a Cinemateca fecha

É curioso de ver que é preciso as coisas chegarem a uma situação limite para haver mobilização em torno das grandes causas. O maior exemplo dessa demonstração de mobilização popular foi muito provavelmente na questão de Timor. Nesse momento, ninguém foi capaz de ficar indiferente a algo que todos sentíamos ser da nossa responsabilidade. Claro que, se os atropelos aos direitos humanos se passarem uns quilómetros ao lado, numa terra desgraçada que não faça parte desse património comum que nos diga respeito, depressa nos lamentamos mas passivos perante tais atropelos à humanidade, como parece estar a acontecer na Síria ou no Egipto. Mas esta é uma verdade da nossa natureza que é acima de tudo egoísta, embora com intervalos de um altruísmo comovente.

Mais recentemente é o contexto da crise económica que torna capaz a mobilização das massas para, em gesto misto de convicção e esperança, tentar mudar alguma coisa e a bem da verdade, sem grandes resultados. É verdade também que o apoio generalizado que é demonstrado em certas situações não coincide propriamente com o interesse ou adesão real que elas suscitam. Mas como é óbvio não é preciso morar em Lisboa, frequentar a Cinemateca ou até gostar de cinema para saber que aquele edifício é fundamental para a sociedade portuguesa. Só os obtusos não entendem isso, mas infelizmente temos sido governados por gente obtusa que defende outros interesses sem olhar a meios e sem hesitar em cortar em coisas que dizem respeito às pessoas reais.
O problema da Cinemateca é coisa que tem vindo a arrastar-se e ou muito me engano ou todos somos responsáveis por isso. A verdade é que vamos olhando para as verbas da cultura serem reduzidas e não nos insurgimos, como se isso dissesse exclusivamente respeito aos artistas. É preciso a Cinemateca fechar ou os cinemas e os teatros fecharem para nos lembrarmos que existem e que se calhar até fazem falta. Somos responsáveis mas diga-se que também somos vítimas, vitimas de gigantescas campanhas de marketing que suportam a razão da política de austeridade, politicas de guerrilha e terror social que despertam o que de pior tem o ser humano tornando-o insensível perante verdadeiras catástrofes como aquela que a directora tem vindo a dar conhecimento, para além daquilo que cineastas, músicos, actores e artistas andam cansados de refutar há anos.

Este entorpecimento com que vivemos a realidade toldou-nos a atenção para aquilo que verdadeiramente importa e infelizmente é quando chegamos ao limite que nos mobilizamos. A realidade é que a cultura está a morrer e enquanto todas as pessoas não só em Portugal mas na Europa toda não se mentalizarem de que se a cultura morrer, todos morremos, continuaremos alegremente a discutir e a aceitar o argumento de que o Estado gasta rios de dinheiro com filmes que ninguém vê ou que os contribuintes estão a pagar fundamentos culturais que não dão retorno nenhum. Pois bem, o património não serve para ser lucrativo. O património serve para nos lembrarmos que existimos, sem isso ficamos sem passado, e por outro lado, se no presente não temos as condições para construir o passado de amanhã, não vamos ter nada no futuro de que nos orgulhemos.


agosto 17, 2013

Travis looks in the mirror

No dia em que Robert De Niro faz 70 anos, trago aqui aquela que será uma das suas cenas mais memoráveis.
O filme Taxi Driver ficará para a história muito à custa de Travis Bickle, uma perfeita criação de De Niro que, embora não o tivesse oscarizado, deu-lhe seguramente o ímpeto para uma carreira de grandes representações ao longo das três décadas que se seguiram. Se O Padrinho II ou ainda antes Mean Streats serviram para o anunciar ao mundo do cinema, Taxi Driver confirmou em definitivo o seu talento.
Perante uma carreira de tamanhos sucessos, será sempre arriscado apontar um filme que consiga resumir toda a sua capacidade. Mas a verdade é que essa capacidade está estampada em todo o filme, e nesta cena em particular é através deste dito golpe de improviso que De Niro revela todo o génio fruto de um trabalho sério de commitment à personagem que o levou, por exemplo, a trabalhar como taxista durante um mês doze horas por dia para se preparar devidamente para Travis. Só através de muito trabalho é que se consegue improvisar sem comprometer a personagem ou o próprio filme.
Esta cena, que é como um episódio de marca da antologia visual do cinema e da história popular da sétima arte, reflecte, como no espelho para onde Travis olha, a importância do actor no filme e o papel que ele tem em transformar aparentes nadas naqueles tudos totais que ficam para sempre na nossa memória.

agosto 03, 2013

Some sunny day


...

So will you please say hello,
To the folks that I know,
Tell them I won't be long,
They'll be happy to know that as you saw me go
I was singing this song.

We'll meet again,
Don't know where, don't know when,
But I know we'll meet again, some sunny day.


Com certeza que quando regressarmos todos das férias traremos na bagagem boas experiências cinéfilas.
Regresso em breve com novidades.